Sobre o uso do "hadde" (pluskvamperfektum)

Conteúdo apresentado:

Usamos o “hadde” quando estamos mais preocupados com o resultado de uma ação que se concluiu no passado:

Da hadde Liv bakt ei kake
“Naquele momento, Liv tinha assado um bolo”

O importante aqui é o término do preparo do bolo pela Liv. Se, por outro lado, estivéssemos preocupados com o ato em si de assar o bolo ou com o momento em que isso aconteceu, escolheríamos o preteritum como, por exemplo, na frase Liv bakte ei kake for 3 timer siden.

(2) Uma ação que precede uma outra ação no passado

O “hadde” também é utilizado quando uma ação no passado ocorre antes de outra ação expressa pelo tempo passado:

Etter at hun hadde drukket kaffe, gikk hun på jobb
“Depois que ela bebeu o café, ela foi para o trabalho”

Da de hadde spist, vasket de opp sammen
“Quando eles tinham terminado de comer, eles lavaram a louça juntos”

Nos exemplos acima, a forma temporal “hadde spist” e “hadde drukket” marcam que a ação ocorreu antes do ponto temporal ao qual elas fazem referência. Tais pontos temporais são marcados pelo uso do verbo no pretérito, respectivamente “gikk” e “vasket”. Também podemos usar advérbios como um ponto de referência para algo no passado:

På det tidspunktet hadde han allerede markert seg som en dyktig politiker
“Naquela época, ele já havia se consagrado como um político habilidoso”

Assim, a frase com o preteritum perfektum apresenta a ação que ocorreu antes desse ponto de referência no passado. Também é possível fazer uma frase com preteritum perfektum sem que ela faça referência a qualquer coisa:

Jeg hadde bestemt meg for å fortsette!
“Eu tinha me decidido por continuar!”

Nesse último caso, não há nem um advérbio nem um verbo no preteritum para fazer referência. Neste caso, a frase pode ser entendida dessa maneira: Situasjonen var den: “jeg hadde bestemt meg for å fortsette “A situação era: eu tinha me decidido por continuar”

Neste caso, essa frase corteja com o tipo número (1) acima, em que o que importa é o resultado. Frases desse tipo apresentam um momento “mais emocionante” de uma narrativa no passado, ou seja, não importa quando aconteceu, mas apenas o resultado da ação.

Também é possível que essas relações acima sejam realizadas por meio de duas frases no preteritum. Isso vale para declarações em que a relação temporal entre as ações são marcadas por “etter at” e “siden”:

Etter at vi spiste, gikk vi på kino
“Depois que comemos fomos para o cinema”

Siden han traff henne, var han bestandig med på festene
“Desde que ele a conheceu, ele estava constantemente nas festas”

Nessas declarações, o preteritum aparece como uma alternativa ao preteritum perfektum. Também em expressões com “før” e “innen”, que marcam a relação de tempo invertida entre duas ações, o preteritum pode ser usado:

Jeg startet jobbsøkingen rundt seks måneder før jeg var ferdig 
“Comecei a procurar emprego cerca de seis meses antes de terminar”

Innen hun forlot kontoret, var det mørkt
“Antes de ela deixar o escritório, já estava escuro”

O uso do preteritum perfektum nesses casos pode parecer um pouco “exagerado” já que as relações de conclusão de “antes e depois” já são marcadas pelas subjunções. Portanto, em muitos casos, o preteritum perfektum seria usado quando há uma relação de consequência para a outra frase e não apenas de “sequência.

(3) Citações (discurso indireto)

Quando escrevemos com aspas (citações) no “presens perfektum” e queremos passar isso para o passado, devemos usar o preteritum perfektum:

Per sa: “Jeg har laget mat til henne” (Ele disse: “Eu fiz comida para ela”)

Per sa at han hadde laget mat til henne
“Per disse que ele tinha feito comida para ela”

Se repararmos, é bem parecido com o tipo (2), uma vez que o ato de falar vem depois do ato de fazer comida.

(4) Condicional (frases hipotéticas)

As frases hipotéticas podem ser construídas por meio de alguns artifícios. A forma preteritum perfektum é um dos artifícios utilizados para tal. No entanto, já tratamos sobre esse assunto em outro post. Clique aqui (material 1) ou aqui (material 2) para acessar.

Bibliografia:

FAARLUND, LIE, VANNEBO – Norsk Referanse-grammatikk; pg. 558-559